O que a GloboNews me ensinou com a prisão do Cabral?

manipulacao-midiaticaAcompanhei o caso da prisão do Sérgio Cabral pela Globo News. Não me assustei pela imparcialidade e nem pela manipulação, pois sendo a Globo, já é normal quererem entregar o seu pacotinho de opiniões e julgamentos prontos.

Porém, o que mais me chamou a atenção desde o início da cobertura foi tentar vincular o Sérgio Cabral ao ex-presidente Lula. O problema é que o Cabral é filiado ao PMDB, partido do atual presidente, o Michel Temer.

Não quero aqui defender o Lula, que lutou pelos direitos sociais mas em nada deixou a desejar a pequenos e grandes burgueses, pois como o próprio disse: Nenhum empresário ganhou tanto dinheiro como no seu governo. Mas quero aqui apontar o perigo de instituições de comunicação com um papel tão nocivo quanto a rede Globo, esta que aprendeu muito bem a manipulação da opinião pública, deixando para trás o Cidadão Kane.

Em poucos momentos da cobertura da GloboNews a prisão do Sérgio Cabral ouvia-se que o mesmo era filiado ao PMDB e que as acusações que o levaram a prisão foi da época em que era governador do Rio de Janeiro pelo PMDB. Mas o destaque era: Sérgio Cabral, aliado de Lula. Mas esquecem de citar que para se eleger governador em 2006 ele teve o apoio de Garotinho, também preso, e que à época era membro do partido (adivinhem) PMDB. Mas o destaque era para o único que interessa a mídia, o Lula.

Ora, isso é uma clara vontade de cada vez mais criminar um e poupar outro.

Tempos sombrios estão chegando.

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Mas o ódio cega e você não percebe*.

Com toda essa enxurrada de escândalos e na forma em que são apresentadas nos noticiários nos leva  a crer que nunca houve corrupção no Brasil, que antes o nosso país era um paraíso bíblico.

No princípio criou Deus os céus a Terra, tudo era lindo e perfeito. Então Deus criou os animais da terra, das águas e do ar. Criou homem, que também era perfeito, honesto e justo. Criou a mulher que também era perfeita, honesta e justa. A humanidade ficou nesse paraíso por milênios até que na década de 1980 foi fundado o PT e a corrupção apareceu no mundo.

 

O que o PT passa atualmente é um desgaste. Desgaste que até poderíamos considerar como parte de um processo natural de mais 13 anos no poder, talvez um desgaste até previsto, porém em proporções menores. Mas não adianta tapar o sol com a peneira. As coisas não andam muito bem. O PT teve a oportunidade de, pelo menos, diminuir drasticamente a corrupção no nível federal quando foi eleito, mas parece que ao ver o que vinha sendo feito decidiu fazer como os antecessores, e deu continuidade a corrupção da máquina.

O preço para se manter no poder foi muito alto e o grande pecado do PT foi ter se distanciado dos movimentos sociais que sempre o apoiou. Foi se dobrando aos interesses do capital financeiro e dos grandes capitalistas, fechando os olhos para o avanço da agroindústria na amazônia, a massacre que ocorre com os nossos índios, o êxodo rural ainda em massa, políticas econômicas que beneficiam os mais ricos e massacram os mais pobres, entre outros vários fatores que mostram que o PT está muito longe de suas ideologias de base, aquelas ideologias que sonharam na sua fundação.

Também é inegável os ganhos do país nesses 13 anos, como a diminuição da mortalidade infantil[1], a criação de institutos e universidades federal em todo país[2] [3], a diminuição da desigualdade social[4] e o Brasil ter saído do mapa da fome[5].

Dentre os benefícios e os desgastes, há um legado que foi deixado nas eleições presidenciais de 2014. O ódio. Um país dividido de várias formas, por gênero, raça, regionalidade, escolaridade, econômica, partidária, religiosa, entre outras. Esse legado deve e será creditado tanto na conta do PT quanto do PSDB, quando o segundo turno explodiu em um acirramento grosseiro e baixo, onde ambos os lados queriam vencer a qualquer custo.

Quando foi anunciada a vitória da presidenta Dilma com expressiva quantidade de votos no nordeste, o nosso povo nordestino passou a ser perseguido na web por ter exercido o seu direito democrático de escolha[6].

Parece que as máscaras em fim caíram. Assumir um discurso de ódio não é mais uma coisa banal, imoral. A prova disso são os vídeos que aparecem de brasileiros humilhando imigrantes haitianos, acusando-os de fazerem parte de um plano do governo para um golpe[7]. Também há as agressões a umbandistas[8] [9], aos homoafetivos e aos transexuais, essa eu credito na conta da bancada evangélica, pois os seus “personagens” no congresso ganharam grande destaque na mídia e disseminarem o seu discurso de ódio em nome de uma moral religiosa e excluidora [10] [11] [12].

A grande imprensa assumiu nitidamente um lado partidário, onde ela investiga, julga e condena. Publica notícias sem antes verificar a veracidade das fontes, ou fazer uma matéria de um político e esquecer de apagar “podemos tirar, se achar melhor” [13] e replicar nas mídias de comunicação.

Dizer hoje que ODEIA O PT não é repudioso, é lindo, é louvável.

A prioridade não é melhorar o Brasil para todos os brasileiros e sim tirar, escorraçar, eliminar o PT.

No dia 15 de janeiro de 2016, o jornal Rio Grandense publicou uma errata de um chargista, onde o mesmo caracterizou o ex-presidente Lula ligando-o a um escândalo de corrupção, quando na verdade a denuncia apresentava o seu antecessor[14]. Isso não foi a primeira vez[15] [16] [17].

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Jornal Zero Hora

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Revista Veja

O que acredito que todos devem apoiar é que a justiça seja feita. Seja qual for o partido. E é isso que deve ser feito para moralizar o país e não perseguir uma sigla, não querendo interromper um mandato conquistado democraticamente sem nenhuma prova concreta, apresentando apenas fatos especulativos.

As manobras do Eduardo Cunha é uma vergonha para a nossa democracia. Ficou claro que o processo de impeachment que ele deu segmento foi uma tentativa de não afundar sozinho. As provas de que mentiu, de que de fato tem contas secretas na Suíça são tão sólidas que não geraram nenhuma dúvida[18] [19]. Mas não se vê a oposição, aquela que quer ser exemplo e modelo de honestidade e moral, se manifestar contrário. Tem o Cunha como um boneco de fantoche, ou melhor, um forte candidato a homem-bomba no atual cenário político.

O que temos não é uma oposição ao governo, temos uma oposição ao Brasil[20]. A turma do quanto pior melhor. O Aloísio Nunes (PSDB) afirmou que quer ver o Governo Dilma sangrar até o fim[21]. Ou seja, quer ainda mais o desgaste, mas enquanto aos interesses do povo brasileiro que ele foi eleito para defender? Esse tipo de sujeito que deve ser expurgado do cenário político.

Não se percebe que esse ódio é maléfico em vários eixos. O ódio não pode ser visto como normal, não pode ser agregado a nossa cultura. O discurso de ódio não pode ser apresentado nos veículos de comunicação como vem sido feito.

Somos um só povo. Uma só nação. Essa semente de ódio é perigosa, não podemos deixá-la germinar, e se germinar, deveremos arrancá-la antes que seja tarde demais.

Não podemos nos cegar com o ódio. O ódio não é normal.

 

* Trecho da música Camila, Camila

Imagem de capa: Tnarik Innael – Licença de uso CC.

Referências para consulta

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